Com muitos problemas financeiros, a Nissan discute fusão com a compatriota Honda para fugir da falência
A fusão entre Nissan, Honda e, potencialmente, a Mitsubishi, pode ter o potencial de remodelar de alguma forma a indústria automotiva mundial. Não só pela possível criação da 3ª maior montadora do mundo, mas também para revigorar a Nissan, que passa por uma grave crise econômica.
No final de dezembro, durante o anúncio de início de negociações entre as empresas, foi citada a ambiciosa meta de aumento de lucro operacional para Nissan até agosto de 2026, como parte do cronograma para a fusão. Para atingir a meta, a Nissan deverá arrecadar cerca de US$ 2,6 bilhões até lá.
O grande problema disso são os atuais lucros operacionais da marca, que despencaram em 90,2% em 2024, indo de US$ 2,3 bilhões para US$ 225 milhões. É uma enorme defasagem. Além disso, o lucro da empresa teve uma queda ainda mais acentuada de 93,5%, passando de US$ 2,02 bilhões para US$ 131 milhões.
Segundo o jornal japonês Nikkei Asia, o grupo pode gerar até US$ 19 bilhões em lucros anuais, mas para isso acontecer a Nissan precisa gerar US$ 3,8 bilhões de lucro a longo prazo. A grande questão é: se a empresa não apresentar uma estratégia confiável para triplicar seu lucro até de 2026, a fusão pode fracassar antes mesmo de começar.
“A integração não será realizada a menos que a Nissan e a Honda a executem como duas empresas capazes de se manterem independentes”, afirmou o presidente da Honda, Toshihiro Mibe.
A Honda, claro, está em uma posição financeira muito melhor atualmente. Em 2024, por exemplo, a marca teve um lucro operacional de US$ 9,1 bilhões. Em contrapartida, a Nissan viu seu lucro cair 74% em relação a 2023.
Com os cortes e replanejamentos, a Nissan poderá fabricar 4 milhões de veículos anualmente. Segundo o chefe da empresa, Makoto Uchida, a Nissan pode lucrar se vender pelo menos 3,5 milhões de unidades em 2025.
Os detalhes finais para a fusão serão decididos até a metade deste ano. A Mitsubishi deve confirmar sua participação até o final de janeiro. No entanto, a fusão poderá ser realmente concluída em agosto de 2026, quando a nova empresa poderá ser listada na Bolsa de Tóquio.
“Sim” para a Nissan, “não” para a Renault
A Honda demonstrou interesse em se fundir às empresas japonesas Nissan e Mitsubishi, mas, supostamente, não tem interesse na Renault, que é atualmente proprietária de 35,7% da Nissan.
Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, a Honda não quer um terceiro desconhecido na jogada. A empresa supostamente perguntou à Nissan se ela pode comprar de volta suas ações da montadora francesa. Mas, devido à situação atual da marca, isso é quase que uma “missão impossível”, já que custaria cerca de US$ 3,5 bilhões aos cofres da Nissan.
Como a fusão ainda não foi finalizada, a empresas seguem avaliando os riscos para tal ação. A grande preocupação da Honda são os rumores que vem sendo espalhados, sobre o interesse da Foxconn na compra dos 35,7% da Nissan que pertencem à Renault – o que atrapalharia os planos de fusão das empresas japonesas.
Ao que tudo indica, desde o anúncio da possível fusão, a Honda não pretende de forma alguma contar com a participação da Renault neste projeto. E, até agora, a única fala da Renault sobre esta fusão é que “consideraria todas as ações com base no interesse do grupo e seus acionistas”.
A Bloomberg estima que, se a fusão entre as três japonesas acontecer, um novo grupo automotivo no valor de US$ 57 bilhões seria criado. Embora não seja um valor exorbitante – colocando em pauta que a Toyota está avaliada atualmente em US$ 276 bilhões -, a unificação do trio asiático pode dar vida a terceira maior montadora do mundo.
FONTE: https://quatrorodas.abril.com.br